Iara de Avellar
 | Iara de Avellar nasceu em outubro de 1954 em Santa Cruz do Sul, onde reside até hoje. Leciona Língua Inglesa há 30 anos para o Ensino Médio Público. Seu primeiro romance, Loveland, é a obra de sua vida. Foi pensado e repensado, escrito e re-escrito, durante quase 20 anos. Contate a autora: iaradevaellar@editoranovitas.com.br |
O piso era branco e as paredes pêssego. A pia ficava engastada no mármore rosa, e ela viu ali um copo de cristal limpíssimo ainda com restos de whisky. As torneiras douradas luziam, assim como a moldura do enorme espelho retangular acima. Numa reentrância da parede havia uma banheira branca e ao lado uma ampla janela de vidros amarelos. Quem estivesse se deliciando com o banho, Carol divagou, poderia largar um copo no peitoral e ficar bebericando. Em fins de tarde aquele recanto deveria colher os raios rubros do pôr do sol que entrariam de viés por ali. A porta do box estava aberta e o cheiro de sabonete e que perfume suavíssimo ainda exalava no ar. Viu, no chão, um roupão escarlate. Movida por um impulso ela o suspendeu. Era tão macio em suas mãos. Tudo ali, a seus sentidos, parecia estalar da presença viril dele, como um carro ainda quente recém abandonado pelo dono. A morada de um homem, pensou, que tinha o instinto de um aristocrata, e uma reserva de príncipe, ainda que um príncipe casmurro, a seu ver. Ouviu um barulho e tratou de sair dali, largando o roupão na cama dele. Gori estava no corredor de pijamas e correu para ela, indagando com animação: - Carol! Onde estava? |
Trecho de Loveland, A Casa dos Quatro Jardins. |
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