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Nasci perto do mar, em Rio Grande, num 27 de agosto. O ruído das ondas embalou meus sonhos adolescentes misturando o gosto salgado das lágrimas e, da melancolia de  horizontes distantes que povoavam meus pensamentos, com as aventuras e o sabor inusitado dos romances e, as emoções despertadas pela poesia...

A arte fez parte de mim desde o começo. Na escola, enchia as páginas dos cadernos com grafismos ou figuras humanas, árvores, barcos, luas. Conquistava amigos desenhando seus retratos ou animando uma aula chata com a caricatura do professor!

Lia tudo que me caia nas mãos e com tal avidez e encantamento que os romances e livros de poesia eram “devorados em questão de horas!

Comecei a escrever poesia aos quinze anos, motivada, é claro pelos desencontros do amor e pelas paixões arrebatadas daquela época...

Casei aos vinte e cinco, tive 3 filhos e uma vida de dona de casa. Formada professora, desisti para cuidar do lar. Mas, em meio às panelas e às fraldas penduradas no varal, sentava à mesa da cozinha para escrever os versos que me rondavam a cabeça  pedindo para virem à luz! Fugia das obrigações para versejar...

 

Fiz, anos depois, a Faculdade de Artes, formando-me Bacharel em Gravura e, quando meus filhos adolesciam, a Faculdade de Psicologia. Primeiro, estudara a figura humana em seus detalhes externos (e a pintá-la me dediquei anos à fio), depois aprendi a mergulhar nos abismos insondáveis da alma humana!

E a Poesia sempre conviveu comigo vinte e quatro horas por dia, como amiga e companheira fiel e, quando me divorciei tornou-se o arrimo das minhas horas vazias... Quando, de novo a paixão entrou na minha vida, lá estava ela, a extravasar os sentimentos de que estava cheio o coração! Para mim, fazer poesia é como respirar: se parar, deixo de viver! Os momentos alegres, as horas tristes, a solidão ou a companhia de alguém, as surpresas boas ou as tristezas inevitáveis são motivos para escrever poemas até hoje...

Atualmente, estudo canto, teclado e violão, mas não abandono a poesia!

Entremeando todos os instantes, a poesia é como um fio de ouro com o qual vou bordando delicados arabescos, nessa trama sutil que é a vida colorindo de nuances variadas as horas monocromáticas de meus dias.

Contato com a autora: cezarinacaruso@editoranovitas.com.br

Morrer de amor

Ah! Este desejo que me avassala
Como uma tormenta inesperada...
Esta dor que me magoa e punge
Como um espinho cravado
No meu peito...
Quero – te junto a mim,
De qualquer jetio,
Num instante de amor
Quase perfeito
A saciar minha sede de ternura.
Quero te sentir dentro de mim:
Tua carne na minha,
Teu pulsar de desejo,
Arrancando a cada beijo
Um gemido de amor
Que não sufocarei!
Vem de uma vez,
Não suporto esta espera!
Sofro de amor
Nesta minha ânsia louca
De ficar desejando a tua boca,
Sedenta e transtornada...
E ir morrendo aos poucos, lentamente,
Junto da tua água cristalina,
Dessa fonte de amor que me alucina,
A suspirar, inutilmente, de saudade!

 

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